A segunda metade da vida por Renata Ramalhosa

A segunda metade da vida por Renata Ramalhosa

Aos 50 anos, executiva portuguesa baseada no Brasil seguiu o conselho de um best-seller e descobriu na pintura um idioma que sempre soube falar

Foi depois de ler Cada Vez Mais Forte, de Arthur C. Brooks (Intrínseca), que Renata Ramalhosa, com 50 anos e no auge de sua carreira executiva, decidiu fazer algo diferente. 

No livro — um best-seller do New York Times sobre como transformar a segunda metade da vida em oportunidade de propósito e felicidade —, Brooks argumenta que, com a idade, trocamos a “inteligência fluida”, ligada à velocidade e inovação, pela “inteligência cristalizada”, baseada em sabedoria acumulada. A chave, segundo ele, é encontrar novas formas de expressão alinhadas a esse novo momento. Renata levou o conselho a sério.

Nos dois últimos anos, conciliou um full-time job com mentorias de arte. Em acordo com sua equipe, passou as tardes das segundas-feiras, além dos domingos, pintando —um hobby que cultivava há anos.

Neste mês, o resultado vem a público. Renata exibe sua primeira mostra, exatamente onde a mentoria aconteceu: no ateliê de Cris Ioschpe. “É como compartilhar não apenas os trabalhos, mas também a trajetória, as descobertas e os afetos que construí nesse espaço”, disse Renata.

Portuguesa, nasceu em 1973 em São Tomé e Príncipe, Renata construiu uma carreira executiva internacional de mais de 25 anos nas áreas de diplomacia econômica, estratégia, inovação e governança. Depois de períodos no Reino Unido e na França, descobriu o Brasil. 

Aqui, foi cofundadora e CEO de uma consultoria focada em inovação e, atualmente, é Regional Managing Director para a América Latina no escritório de advocacia Kobre & Kim, além de fazer parte do Conselho da Diáspora Portuguesa. 

“Vim ao Brasil como diplomata. Fiquei quatro anos nesse posto, e eu e minha família nos apaixonamos pelo País e decidimos ficar. Hoje, atuo na área estratégica de uma corporação.” 

O lado executivo sempre foi o centro da sua vida. Ao buscar algo novo, voltou à infância. A arte a acompanha desde pequena, por incentivo da mãe.

Durante a mentoria com Cris Ioschpe, saiu da zona de conforto. “Renata já pintava quando a conheci. Ela trouxe uma bagagem, um repertório. Mergulhou no trabalho dela e achou uma identidade própria”, conta Cris. 

Renata sempre cultivou a pintura como expressão pessoal, ao lado de um grande interesse pela cultura — ópera, literatura, teatro, cinema e arte. Durante a mentoria, aprendeu técnicas e foi apresentada a artistas plásticos brasileiros. 

“A obra de arte precisa ser vista. A exposição é o momento em que o trabalho ganha presença, diálogo e sentido. É nesse encontro que também nasce a reflexão do artista”, explica Cris Ioschpe. 

A primeira exposição de Renata, Sedimentos, reúne 17 pinturas em acrílico sobre tela e papel. 

“Sedimentos é o que fica. O que se deposita. O que a vida vai deixando em nós sem que percebamos – e que um dia, de forma inesperada e inevitável, encontra a sua forma de aparecer,” disse Stella Villares — amiga de Renata e Cris, e quem as apresentou, no ensaio da mostra. 

As telas surpreendem pelo domínio das cores e pelo equilíbrio das composições. Como Stella escreveu: “É como se a pintura fosse um idioma que ela sempre soubesse falar, mas nunca tivesse tido ocasião de usar.” 

A principal inspiração de Renata? A vida fora do escritório. “Todas as minhas obras trazem uma interpretação da natureza que vem de dentro para fora, revelando um certo saudosismo. Moro em São Paulo há 11 anos, e acho que quem vive aqui tem o direito de ter saudade da natureza.”

Sem Título, 2025, Renata Ramalhosa. Acrílica sobre tela.

Sedimentos, Renata Ramalhosa
Em cartaz até 19 de junho.
As visitas devem ser agendadas previamente através do contato:
(11) 99199-3972. 

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