Único diretor brasileiro em Cannes volta para casa com o prêmio
Lucas Acher

Único diretor brasileiro em Cannes volta para casa com o prêmio

O curta Laser-Gato nasceu como um trabalho de conclusão de pós-graduação de Lucas Acher, e antes de ganhar a atenção em Cannes, foi notado por outro gigante do cinema: Spike Lee

Apesar de viver grande fase, o cinema brasileiro teve participação discreta no Festival de Cannes de 2026. Mas quem esteve lá fez bonito.

Único diretor brasileiro no festival, Lucas Acher, de 30 anos, venceu na quinta-feira a mostra La Cinef com o curta Laser-Gato, gravado na cidade de São Paulo. 

A competição é voltada a apoiar novos cineastas e selecionou 14 curtas-metragens de ficção e 5 de animação entre os 2.750 enviados por escolas de cinema de todo o mundo.

Laser-Gato conta as desventuras de um garoto entediado que precisa se aventurar na noite de São Paulo após provocar um acidente com o gato da vizinha usando um laser. O curta diverte e intriga os espectadores com personagens sem virtude — a única figura que tenta demonstrar qualquer tipo de empatia é duramente punida — e que tem na misteriosa noite de São Paulo um de seus protagonistas.

O curta nasceu como um trabalho de conclusão da pós-graduação de Acher na New York University (NYU), e antes de ganhar a atenção dos jurados de Cannes, foi notado por outro gigante do cinema: Spike Lee.

Além de diretor, Lee é professor da NYU e anualmente premia alguns roteiros feitos com recursos da Spike Lee Production Fund para ajudar a levá-los para a telona. Com a “forcinha” do diretor, Acher trouxe a produção para São Paulo, onde nasceu e cresceu.

“Quando comecei a querer fazer cinema, fantasiei o lugar em que vivia. Essas ideias ficaram e cresceram em mim. Os dois curtas que fiz foram em São Paulo, gosto muito dessa ideia de espaços de identificação, locais em que o público brasileiro pode ver e refletir a própria vida dentro da tela,” disse Acher. “Mesmo que a história seja fantástica, surreal, esse imaginário da cidade grande ao crescer em São Paulo sempre foi uma vontade de colocar no meu trabalho.”

Lucas Acher recebendo o prêmio da mostra La Cinef

Com o selo de vencedor de Cannes, Acher já começa a pensar nos próximos passos. Ao Page9, ele disse que já tem três ideias de longa metragens – todas se passando em São Paulo – mas que aquela com maior possibilidade para sair do papel é um filme de Laser-Gato

“A ideia é transformar o curta em um longa e ao invés de ter um protagonista, ter dois. Eles estudam na mesma escola e o segundo garoto seria envolvido nessa loucura que o outro entrou,” disse o diretor.

Antes de dar o próximo passo na carreira, Acher quer trabalhar o curta em outros festivais, em especial no Brasil, onde disse que irá escolher o local onde Laser-Gato fará sua estreia nacional.

“A gente quer tentar rodar o curta no mundo o máximo possível, mas tem festivais que só aceitam curtas inéditos em determinados territórios. Como há muitos festivais no Brasil que só exigem estreia brasileira, quero poder escolher um festival legal e rodar o país quando for o momento certo. Se os festivais permitirem” disse Acher com uma modéstia rara para o meio.

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