48 horas de cultura em Salvador

48 horas de cultura em Salvador

A jornalista e empresária Ticiana Villas Boas entrega seus passeios favoritos para quem já conhece a cidade

Salvador é uma cidade que nunca se revela por inteiro na primeira visita. Quem já conhece o Centro Histórico, o Elevador Lacerda e o Farol da Barra pode se permitir explorar uma Bahia mais íntima, feita de cultura, gastronomia e lugares que fazem parte da rotina de quem vive aqui. Se você tem 48 horas na cidade, este, como boa baiana, é o roteiro que eu faria. 

Uma das minhas redescobertas favoritas foi o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, reaberto após um cuidadoso processo de restauração. Mas o passeio começa antes mesmo da chegada — sempre que possível, faço o trajeto de barco pela Baía de Todos-os-Santos. Ver Salvador a partir do mar é uma experiência que muda completamente a perspectiva da cidade e torna a chegada ao casarão histórico ainda mais especial.

Depois da visita, vale esticar o passeio até a Ilha de Maré. Os pequenos restaurantes de pescadores servem uma culinária baiana autêntica, sem excessos, em um cenário que convida a desacelerar. É uma das experiências que mais gosto de recomendar para quem quer fugir do roteiro tradicional.

Se a ideia é mergulhar na identidade cultural da cidade, o museu Cidade da Música da Bahia é parada obrigatória. O acervo conta a história dos ritmos que nasceram ou ganharam força em Salvador e ajuda a entender por que a música é parte tão essencial da alma baiana.

Outro lugar para o qual sempre gosto de voltar é o Museu de Arte Moderna da Bahia. Além das exposições, o espaço reúne arquitetura, natureza e uma das vistas mais bonitas da Baía de Todos-os-Santos. É um daqueles lugares onde sempre vale reservar um tempo para apreciar o pôr do sol.

Para quem gosta de arte, design e criatividade, a CASACOR Bahia é uma excelente programação. A mostra ocupa um imóvel histórico e reúne ambientes assinados por profissionais que traduzem diferentes olhares sobre o morar contemporâneo, sempre valorizando a identidade baiana. Essa edição acontece até o dia 06 de setembro na Casa Nossa Senhora das Mercês, no coração de Salvador. 

Outro endereço que adoro indicar é o antiquário de Cris Mussi, um lugar para explorar sem pressa. Entre mobiliário, obras de arte e objetos históricos, cada peça conta um pouco da história da Bahia e revela a riqueza do nosso patrimônio.

Mesmo para quem já conhece Salvador, há um lugar que nunca deixa de surpreender: a Casa do Rio Vermelho, onde viveram Jorge Amado e Zélia Gattai. Mais do que um museu, o espaço preserva os ambientes originais da residência, com móveis, objetos pessoais e memórias do casal, criando uma experiência imersiva que aproxima o visitante da vida e da obra de um dos maiores escritores brasileiros. É uma visita indispensável para quem quer entender a relação entre a cidade e a literatura. 

Na gastronomia, uma das novidades que mais me encantou foi o novo restaurante da chef Preta, o Chile 27. Pequeno, intimista e com menu mediante reserva, o espaço proporciona uma experiência autoral que representa muito bem o momento da cozinha soteropolitana: criativa, contemporânea e profundamente conectada às suas raízes.

É esse tipo de roteiro que me faz voltar a Salvador sempre com a sensação de estar descobrindo uma cidade nova. A riqueza não está apenas nos cartões-postais, mas também nas travessias de barco, nos museus, nos espaços de arte, nos sabores e nas histórias que fazem da Bahia um lugar onde tradição e contemporaneidade convivem de forma única.

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