As diversas formas de se viver o Pantanal
Jaguar, Panthera Onca, Female, observed by unrecognizable tourists crossing Cuiaba River, Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brazil, South America

As diversas formas de se viver o Pantanal

Maior bioma úmido do planeta, o Pantanal é uma das experiências de natureza mais intensas do Brasil

Poucos lugares no planeta acumulam tanto reconhecimento simultâneo ― e com tanta razão.

A UNESCO titulou o Pantanal duas vezes: Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera, a terceira maior do mundo. A Constituição Federal brasileira o declarou Patrimônio Nacional. Ainda assim, apenas 5,4% de sua área conta com proteção formal ― o que contribui para que o ecoturismo seja uma das ferramentas mais concretas 46 de conservação que existem, porque gera renda para as propriedades que preservam, financia projetos de campo e demonstra, em números, que a floresta em pé vale mais do que a terra convertida.

O Pantanal, plano e com extensão maior que a da Bélgica, tem desnível inferior a dois metros em toda a sua área.

O maior wetland tropical do planeta ― cerca de vinte vezes as Everglades, o célebre pântano da Flórida ― estende-se pelo Brasil, Bolívia e Paraguai e vive no ritmo das águas.

De outubro a março, as cheias o transformam num reservatório interior sem paralelo; quando drenam, de abril a setembro, o que fica é um dos maiores espetáculos de vida selvagem do continente. A densidade de onças-pintadas é a maior do mundo. Ariranhas, antas, tuiuiús, araras-azuis e jacarés, às centenas, ocupam as margens dos rios.

Com mais de 80% da cobertura vegetal original intacta, é o bioma brasileiro mais preservado ― e um dos mais vulneráveis diante do avanço do agronegócio e das mudanças climáticas.

A experiência pantaneira, porém, não é uma só. Há quem venha pela onça, pelos safáris fotográficos ao amanhecer, pela fauna vista a metros da varanda, pela sensação de estar dentro de algo maior do que qualquer roteiro poderia prever. Há quem venha pelo rio, com a vara de pesca na mão, e o pintado saindo da água turva do Paraguai, enquanto o sol desce por trás dos buritis. O Pantanal acomoda essas diferentes formas de viver o bioma com naturalidade e cada uma revela uma paisagem distinta.

No Pantanal Sul, em Miranda, a Caiman Ecological Refuge é referência mundial em conservação e turismo de natureza. Fundada por Roberto Klabin há mais de três décadas, a reserva construiu um modelo em que pecuária, ecoturismo e conservação coexistem em 53 mil hectares.

Na propriedade, há projetos ativos de proteção de araras-azuis, antas e tamanduás, e o projeto Onçafari, iniciado em 2011 por Mario Haberfeld, tornou o Caiman um dos melhores lugares para ver o felino em seu habitat natural. Os safáris saem duas vezes ao dia com guias naturalistas bilíngues e, para quem reserva com antecedência, o rastreamento de onças ao lado dos biólogos é uma das experiências mais procuradas.

A hospedagem divide-se entre a Casa Caiman, com 18 suítes, e as Villas Baiazinha e Cordilheira, recomendada para grupos maiores. A gastronomia mergulha na tradição pantaneira, e alguns dos momentos mais marcantes acontecem fora da sede, num jantar no celeiro com fogueira e música ao vivo.

Mais ao norte, o ritmo muda nas margens da Baía Siá Mariana, em Barão de Melgaço, reconhecida como um dos principais berçários de peixes da região. A pousada que leva o nome da baía tem como vocação a pesca esportiva. Vale lembrar que a temporada de pesca vai de fevereiro a setembro, e a licença do IBAMA é obrigatória.

Há ainda uma terceira forma de viver o Pantanal: pelo rio. O Barco Hotel Kayamã navega o Rio Paraguai há mais de vinte anos, com 20 cabines que levam viajantes exigentes a um padrão de conforto raro na região. A bordo funcionam três piscinas, um spa, uma academia e um restaurante panorâmico.

Siga o Page9 no Instagram — e assine a newsletter