A ambição insaciável de Sophia Loeb

A ambição insaciável de Sophia Loeb

Aos 29 anos, a paulista Sophia Loeb tem atraído os olhares mais atentos do mundo da arte com seu trabalho sensorial e intenso

A intensidade da arte de Sophia Loeb anda junto com o ritmo de sua carreira. Mesmo com pouca idade, 29 anos, a artista já está presente em grandes galerias no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos com estilo único, uma arte cinética e sensorial feita no canvas que está atraindo os olhares mais atentos do mundo da arte.

Com formação artística toda em Londres — com passagens pelo Royal College of Art e Goldsmiths University — Sophia agora volta ao Brasil para o projeto mais ambicioso de sua carreira, onde a proximidade com seu país de nascença é essencial para atingir o resultado esperado.

“Após oito anos morando em Londres, voltei para o Brasil para um projeto que exige presença constante. Quero fazer algo super ambicioso então é melhor estar no Brasil,” disse ela em entrevista ao Page9 durante o Brasil Project, evento em Harvard e no MIT que reuniu algumas das principais cabeças do País. Ela foi a protagonista do evento na área da arte, onde participou de um painel com Marcelo Coelho, diretor do MIT Design Intelligence Lab. 

Mesmo após quase uma década vivendo no exterior, a arte de Sophia é profundamente brasileira. Ela gosta de dizer que seu processo criativo é um diálogo interno intenso onde ela une pensamentos, sentimentos e memórias para dar vida aos seus quadros. E quando ela fala de memória, sempre remete ao tempo vivido no Brasil: as paisagens, os sons, as cores e as sensações vividas no País. 

Ela une pensamentos e memórias com estímulos sensoriais e referências de outras formas de arte para então serem dissolvidas na tela através de um processo de pintura próprio, onde a mistura de materiais traz uma abordagem escultural para a pintura em tela. O resultado é uma arte abstrata que parte de conceitos figurados.

“É um processo muito difícil de entender, é não linear, muito abstrato e requer atenção. Se eu não acabar uma obra, ela começa a me frustrar e preciso acabar o que comecei. Mas tudo é momentâneo, não planejo nada, não olho nada. Em cada obra estou testando minha própria capacidade,” disse Sophia.

A referência ao trabalho escultural em suas obras não é por acaso. Sophia explica que foi a aproximação com a escultura que a permitiu expandir seu olhar ao pintar uma tela. 

“Depois que descobri que podia ser escultora, eu perdi o medo de pintar. A pintura pode ser muito assustadora, então no momento que vi que era também uma escultora, desenvolvi essa sabedoria para a pintura e minha arte floresceu em termos de como eu produzo, com as camadas e a qualidade da minha obra. A escultura me tirou o peso de pintar,” explica Sophia.

Foi a partir dessa libertação que Sophia conseguiu criar uma linguagem própria, trazendo relevo e texturas para a tela. “Sinto que estou construindo algo novo, que ninguém nunca viu, por isso fico tranquila quanto a autenticidade da estrutura visual da minha obra,” diz a artista em tom sereno de quem tem a certeza do caminho em que está trilhando.

Mas não é sempre que Sophia encara sua obra de maneira centrada. Na verdade, foi a frustração que a fez atingir esse ponto de equilíbrio e desenvolver sua linguagem.

Ela conta que durante a pandemia passou um tempo em São Paulo antes de voltar ao mestrado em Londres e sentia que suas telas não estavam atingindo o ponto em que gostaria. Uma obra específica lhe tirava o sono.

“Passei horas olhando para a tela com raiva. Ela ficava me encarando de volta e eu queria matá-la [a tela], então pensei ‘quer saber, vou destruir essa tela’. Saí correndo, peguei tudo que tinha na mesa — porque eu já ia sair do ateliê — e joguei tudo nela que nem uma maluca. Eu destruí a tela e ela ficou perfeita,” contou Sophia com um sorriso modesto mas orgulhoso.

Durante o processo ela jogou pigmentos, pintou com a mão, usou oil sticks e mudou a posição da tela ao longo do processo. Ao final, Sophia disse “é isso”: seu rompante levou sua arte onde ela gostaria. 

O nome da obra? Eureka, expressão vinda do grego que significa “achei” ou “descobri”. 

“Foi o meu momento ‘eureka’, uma epifania,” disse. “Utilizei esse processo em todos os trabalhos que faço hoje em dia por causa dessa pintura. Essa coisa de jogar no chão, mudar perspectiva, tudo.”

Hoje, com a certeza de que atingiu uma linguagem artística própria, Sophia mira novos voos e quer fazer uma arte “monumental.”

“Eu quero que minha arte seja monumental. Mas uma pintura pequena pode ser monumental, então quero ter minhas obras em lugares muito especiais e distintos,” explica a artista.

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