A festa antes da festa no The Mark: o backstage do Met Gala
NEW YORK, NEW YORK - MAY 06: Anna Wintour departs The Mark Hotel for 2024 Met Gala on May 06, 2024 in New York City. (Photo by Ilya S. Savenok/Getty Images for The Mark Hotel)

A festa antes da festa no The Mark: o backstage do Met Gala

Antes de qualquer celebridade subir as escadarias do Metropolitan Museum of Art, muito já aconteceu dentro de um hotel a quatro quarteirões dali

Mais de mil espressos. Trezentas pizzas de trufa. Quinhentas garment bags fotografadas e rastreadas uma a uma. Antes de qualquer celebridade subir as escadarias do Metropolitan Museum of Art, muito já aconteceu dentro de um hotel a quatro quarteirões dali. 

O The Mark existe desde 1927 e carrega, na icônica fachada listrada em preto e branco do Upper East Side, a personalidade de quem não precisa se anunciar. O lobby, assinado pelo decorador francês Jacques Grange em 2009, já é uma imagem clássica de Nova York. Com 106 quartos, 47 suítes distribuídas em 16 andares e a maior penthouse de hotel dos Estados Unidos, com mais de 900 metros quadrados, o hotel recebe cerca de 60 convidados do Met Gala a cada edição. E é justamente na primeira segunda de maio, uma vez por ano, que o hotel vive seu momento mais intenso e mais secreto.

Anna Wintour se prepara para a festa ali todos os anos. Kim Kardashian saiu dali em 2019 num Thierry Mugler tão justo que fez o trajeto até o museu em pé numa van. Blake Lively já declarou que se arrumar no The Mark virou parte da tradição. Donatella Versace, as irmãs Hadid, Cardi B, Michelle Yeoh, Tyla, Bad Bunny: todos passaram pelo mesmo lobby, desceram pelo mesmo elevador, cruzaram a mesma calçada da 77th St. em direção ao Met. E nenhum deles chegou lá sem horas de preparação dentro dessas paredes.

O que acontece no hotel é o que ninguém vê, mas todo mundo sente. E essa preparação começa muito antes de maio: no dia seguinte ao encerramento do evento, a equipe já se reúne para avaliar o que funcionou, o que falhou e o que pode melhorar. As primeiras reservas de marcas chegam ainda em agosto. Quando a primeira segunda de maio se aproxima, não há um quarto disponível.

Nos dias que antecedem o baile, as suítes passam por uma transformação silenciosa e radical. Móveis são desmontados e enviados para armazenamento externo, cada peça catalogada com cuidado – porque no The Mark, não há duas iguais. Em seu lugar entram araras, espelhos de corpo inteiro, cadeiras de diretor e as estruturas de uma produção de moda de alto nível. A housekeeping e o time de marketing operam em sincronia fina, um cuidando da logística física e o outro coordenando fotógrafos, shot lists e os elementos visuais exclusivos do hotel. "Em 48 horas, mais de 25 especialistas trabalham continuamente para transformar as suítes em questão de horas", conta Allegra Acosta, diretora associada de marketing.

No dia da gala, o ritmo muda de vez. Desde as primeiras horas da manhã, as suítes fervilham com cabelos e maquiagens sendo finalizados e costuras sendo ajustadas no corpo, tudo ao mesmo tempo, em andares diferentes. Joias chegam sob escolta de seguranças e são transferidas peça por peça com protocolo estrito, e cada item é documentado antes de chegar às mãos de quem vai usá-los. Os funcionários, com os elevadores tomados por equipes de beleza e estilistas, passam a usar as escadas. Vez ou outra cruzam, nos degraus, com a própria celebridade que busca o mesmo caminho discreto para chegar ao carro sem ser vista.

Nos bastidores da cozinha, o The Mark Restaurant by Jean-Georges opera em modo de guerra. "Mais de 300 pizzas de trufa e centenas de pedidos de sushi de salmão crocante são preparados ao longo do dia, junto com mais de mil xícaras de espresso, enquanto a turma de beleza, moda e os convidados passam por horas de preparação", descreve Acosta. No Caviar Kaspia, batatas fritas e batatas assadas cobertas com caviar circulam entre uma prova de roupa e os últimos retoques.

A privacidade é tratada com a mesma seriedade que qualquer outro serviço do hotel. Rotas dedicadas, pontos de acesso controlado e comunicação interna altamente coordenada garantem que os hóspedes se movam sem serem expostos, mesmo no pico de visibilidade de um dos eventos mais acompanhados do mundo. Tem quem exija suítes completamente às escuras, com cada fresta vedada além do blackout padrão. Outros pedem amenidades idênticas, duplicadas em dois banheiros, antecipando seus próprios movimentos dentro do apartamento. E tem os pedidos espontâneos, aquele item específico garimpado em algum ponto de Nova York em questão de horas ou a vontade inusitada que precisa ser atendida, não importa o quão improvável. Basta comunicar e uma equipe estará na porta em minutos. No The Mark, a resposta é sempre sim.

Quando a noite do Met termina e as primeiras celebridades retornam, o hotel muda de tom pela última vez. Do lado de fora, esperando cada um, está o carrinho de hot dogs de Jean-Georges, com centenas de salsichas com coberturas personalizadas e batatas fritas prontas para serem consumidas no lobby. As margaritas de gengibre circulam. As formalidades se dissolvem. O que começou como uma mordida rápida frequentemente se estende pela madrugada, em festas privadas nas suítes ou em um dos afters mais aguardados de Nova York, todos sediados no hotel.

No dia 4 de maio, Beyoncé, Nicole Kidman e Venus Williams, co-presidentes do Met Gala 2026, vão descer pelo mesmo elevador, cruzar o mesmo lobby e sair pela mesma porta. Lá fora, as câmeras já estarão a postos; lá dentro, o que acontece ficará no The Mark, guardado a sete chaves.

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