Cinco estrelas em alto-mar

Cinco estrelas em alto-mar

Tem pânico de cruzeiros lotados? Viajar de navio pode ser uma experiência de muito estilo, privacidade e paz de espírito

Fazer um cruzeiro é um daqueles tipos de viagem do estilo ame ou odeie. Quem está no segundo time, convenhamos, até tem seus motivos para não ser fã: os maiores navios do mundo podem passar facilmente de 7 mil pessoas a bordo (10 mil, se contarmos com a tripulação), as filas para qualquer coisa são intermináveis, as cabines são apertadas e a comida… bom, quase sempre é fraca, para ser gentil. Eu mesmo já vivi esse tumulto duas vezes antes de ter uma terceira experiência completamente diferente al mare.

A viagem a bordo do Explora I ― o primeiro da Explora Journeys, divisão de luxo do grupo MSC ― foi uma exceção em um mundo dominado pelos cruzeiros pensados para poucos, mas feitos para muitos. Lançada em 2023, a embarcação propõe privacidade, luxo e detalhes planejados para que o passageiro deixe tudo o que não merece embarcar lá no porto. Minha jornada incluiu sete noites pelo Mediterrâneo, começando e terminando em Barcelona.

A Explora Journeys nasceu a partir do conceito Ocean State of Mind, que quer conectar os hóspedes ao mar e a si mesmos. Além disso, eles também querem fazer com que esses hóspedes se sintam em casa, e é aí que a hospitalidade entra em cena. Por isso, quem embarca é hóspede e não passageiro ― afinal, neste caso, seria mais justo chamar o navio de hotel. Um conjunto de detalhes que leva o clima cinco estrelas para o alto-mar.

Começando pelas cabines: são 456 suítes no Explora I, todas com pelo menos 35 metros quadrados e varanda. No closet, secador de cabelo Dyson e cabides que não escorregam com o balanço do mar; ao lado da cama, carregador de indução, uma garrafa de champagne de boas-vindas e filmes na TV. O café da manhã na varanda também está incluído. Assim como nos restaurantes do navio, comidas e bebidas, inclusive as alcoólicas, fazem parte do pacote, com exceção de alguns rótulos especiais e do Anthology, no estilo chef’s table.

A bordo do navio, que recebe 930 pessoas entre hóspedes e tripulação — chamada por eles de hosts, em uma proporção de praticamente uma pessoa dedicada para cada passageiro —, você pode variar entre comida mediterrânea, francesa contemporânea, japonesa e as carnes do Marble & Co. Grill, a estrela do Explora I.

Para quem quer curtir tudo o que o navio oferece, relaxar em uma das cinco piscinas e cinco jacuzzis, beber em um dos 12 bares e lounges e visitar a galeria de arte em parceria com a britânica Clarendon Fine Art é obrigatório. Mas o imperdível mesmo é o spa, quase uma instituição a bordo.

São 700 metros quadrados com 11 salas de terapia, sauna seca, chuveiros aromáticos com jatos que simulam uma chuva na floresta, hidromassagem e, o mais interessante, uma sala de pedras de sal do Himalaia. O Ocean Wellness é o spa mais premiado em alto-mar, com três reconhecimentos mundiais e terapias para relaxar, recarregar e desconectar, todas pagas à parte. Mas o que talvez tenha dado essa conquista ao navio foram as pessoas. Quem me atendeu foi Tereza, uma angolana que foi sacerdotisa espiritual. Até quem não acredita em nada ficaria impressionado. Tereza leu minha linguagem corporal, percebeu que eu era destro e focou no lado de mais tensão.

Ainda na modalidade “extras”, você pode reservar uma degustação de caviar com vodca ou de charuto com conhaque. Também é possível fazer um dos passeios que compõem a curadoria do time do navio em cada uma das paradas.

A sustentabilidade também faz parte da experiência. O grupo mantém a MSC Foundation, braço filantrópico voltado à preservação marinha, ao suporte às comunidades, à educação e a ações de emergência. A frota da Explora Journeys já conta com o Explora I, II e III, enquanto os navios IV e V estão previstos para 2027 e o VI para 2028. A meta é alcançar emissão zero de carbono até 2050.

Tudo isso conta com o apoio do que há de mais novo em tecnologia, mas são as pessoas que mantêm viva a alma de um hotel flutuante: “Todos passam por treinamentos sobre visão, sustentabilidade e hospitalidade. Estar à frente de um navio como este é como cuidar de uma pequena cidade. E o time, que é a alma do negócio, tem o melhor da comida e da internet, por exemplo. O que o hóspede tem, o time também tem acesso,” diz Diego Michelozzi, capitão que atua há mais de 20 anos no mar.

Viajar a bordo de um deles é como reprogramar a rota do mercado de cruzeiros — uma jornada baseada principalmente na conexão consigo mesmo, na pausa, no silêncio e no tempo.

Hospitalidade em alto-mar em 9 fatos

● Vinho é água: uma taça de Chablis ou champagne vai bem o dia todo, é só pedir.

● É possível levar Monet, Dalí, Mr. Brainwash, Christian Hook ou Andy Warhol como souvenir da galeria de arte.

● Para não perder a hora, a loja da Rolex (única em alto-mar) está a postos.

● Nada de enjoar: sentir o balanço do navio é coisa do passado, com a estabilidade garantida pelas duas hélices principais.

● Lagosta, caviar, sushi e sashimi… tudo faz parte do pacote nos cinco restaurantes incluídos na passagem.

● Exclusividade: o navio recebe pouco mais de 900 pessoas, bem abaixo das 10 mil que um grande cruzeiro pode embarcar.

● São mais de 30 opções de terapias no spa, além de personal training, aulas de ioga e de pilates na academia.

● Na cabine, chuveiro espaçoso, closet, varanda, champagne e binóculo para não perder nenhum detalhe da vista.

● Tecnologia: wi-fi potente na costa e em alto-mar, com tudo feito pelo aplicativo, sem estresse.

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