Bus Palladium: o ícone parisiense renasce como hotel

Bus Palladium: o ícone parisiense renasce como hotel

Clube noturno que recebeu Mick Jagger, os Beatles e Salvador Dalí reabre como um dos hotéis mais interessantes da cidade

Paris, 1965. A turma poderosa da cidade circulava entre o Chez Régine e o Chez Castel, dois dos pontos mais disputados da capital. Eis que James Arch, um dançarino de 22 anos, tem uma ideia: criar um clube noturno no porão de um prédio no 9º arrondissement que ia na contramão da sociedade da época — um espaço anti-private club para reunir a galera cool de Paris em Pigalle, região que na época era considerada escandalosa demais com Moulin Rouge e sex shops. Surgia o Bus Palladium, clube noturno que agora renasce como um dos hotéis mais interessantes da cidade.

O nome traduz exatamente o que James se propôs a fazer: a junção de “Palladium”, em referência a uma das casas noturnas mais famosas de Nova York, com “Bus”, já que o empresário criou uma linha de ônibus fretado para levar os jovens parisienses em uma noitada de curtição na casa. O endereço abriu no dia 30 de setembro no número seis da rua Pierre Fontaine, com um letreiro neon vermelho para indicar onde a festa realmente acontecia.

Logo, o Bus Palladium virou o lugar queridinho da noite rock ‘n’ roll na cidade. Salvador Dalí certa vez chegou acompanhado de uma pantera numa guia; Mick Jagger comemorou aniversário por lá; os Beatles já tocaram ali e Serge Gainsbourg escreveu Qui Est In, Qui Est Out em uma de suas mesas. Tudo isso enquanto os jovens da época se divertiam a bordo de looks Courrèges.

As décadas passaram, o Bus Palladium viveu seu auge nos anos 1960 e 1970 e, com o tempo, foi mudando de dono até fechar em 2022. Pouco tempo depois, o Studio KO — o mesmo responsável pelo Museu Yves Saint Laurent, em Marrakech, e pela renovação do Chateau Marmont — encabeçou o projeto de transformação do lugar no hotel com 35 quartos.

Nenhum deles é igual ao outro e cada quarto é escolhido de acordo com as necessidades do hóspede. Quer relaxar na banheira? O hotel tem uma suíte especial. Vai a trabalho? O Palladium tem a opção certa. Em comum, todos já vêm com um minibar com drinks prontos para o preparo. O destaque entre as suítes fica para a Dalí, com 70 m², décor retrofuturista com vibe Stanley Kubrick e varanda privativa que dá para o mesmo letreiro que fez história.

A modelo Caroline de Maigret é um dos nomes que integram o time por trás do hotel, responsável pela curadoria das playlists para os quartos, das amenities Diptyque e dos uniformes do staff. Na gastronomia, restaurante com menu assinado por Valentin Raffali, chef franco-marroquino que faz parte da nova geração de estrelas da gastronomia mundial.

O clube no subsolo, claro, segue vivo, fazendo jus à história da casa. Agora ele tem uma disco ball e cortinas de lamê dourados, com uma estante de discos com a coleção de vinis originais de James Arch e uma programação que irá receber pequenos shows e performances de cabaré. O legado da noite francesa dos anos 60 e 70 segue mais vivo que nunca, agora ao seu alcance.

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