Quanto vale a camisa que Pelé usava quando se tornou rei?

Quanto vale a camisa que Pelé usava quando se tornou rei?

Peça utilizada pelo craque brasileiro na final da Copa de 1958 vai a leilão na Sotheby's

Em 1958, quando tinha tenros 17 anos, Pelé marcou dois gols na final da Copa contra a Suécia e iniciou sua ascensão ao posto pelo qual ficaria conhecido: o rei do futebol.

Sete décadas depois, a camisa azul usada pelo craque naquele jogo segue fazendo história: a peça será leiloada pela Sotheby's no mês que vem, e espera-se que seja arrematada por mais de US$ 6 milhões.

A 10 de Pelé é a joia da coroa do leilão temático The Beautiful Game – uma reunião de artigos de memorabilia futebolística à venda durante a Copa deste ano – por uma confluência de fatores, a começar pela criação do mito do rei.

Pelé chegou à Copa da Suécia como a grande promessa de uma seleção recheada de gigantes como Didi, Garrincha e Nilton Santos, mas uma lesão no joelho o tirou dos dois primeiros jogos da competição. 

Enquanto o rei se recuperava, Dida, o seu colega de quarto, assumiu a 10. Pelé só fez sua estreia na Copa na terceira partida do Brasil.

O resto é história.

Marcou o gol da vitória contra o País de Gales nas quartas de final; enfiou três na França na semi, que a canarinha venceu por 5 a 2; e fez mais dois na final contra a Suécia, um deles a pintura descrita abaixo, ajudando a seleção a vencer novamente por 5 a 2 e se sagrar campeã mundial pela primeira vez.

O Brasil vencia por 2 a 1 quando um cruzamento da esquerda encontrou Pelé, marcado dentro da área e de costas para o gol. Ele ganhou no corpo de um primeiro defensor sueco e colocou a bola para dormir em seu peito, depois girou o corpo em direção à baliza enquanto a bola quicava no chão. 

Quando um segundo defensor se aproximou pela esquerda, o craque levantou a bola para encobri-lo com um chapéu. 

Já sem marcadores pela frente, Pelé nem esperou a redonda tocar a grama novamente. Deu um tirambaço com o peito do pé e fez a bola morrer no canto direito do goleiro.  

Ao ouvir o apito final, o jovem Edson Arantes do Nascimento se debulhou em lágrimas e foi carregado nos ombros pelos companheiros. 

Nasciam o rei e a maior seleção do mundo – vestida de azul pela primeira vez na história.

Como a Suécia também usava camisas amarelas, a canarinha foi obrigada a fardar seu segundo uniforme na final. 

O problema é que o tal equipamento alternativo era branco, a cor que o Brasil vestia quando foi derrotado pelo Uruguai na final da Copa de 50 em pleno Maracanã.

Reza a lenda que Paulo Machado de Carvalho, o chefe de delegação da seleção, comprou camisas azuis como o manto de Nossa Senhora Aparecida e mandou bordar o escudo da CBD e os números dos atletas.

Estes detalhes, visíveis na camisa que será leiloada pela Sotheby's, aumentam ainda mais o valor da peça.

Depois do jogo, Pelé presenteou Dida, seu companheiro de quarto com quem compartilhou o número 10 durante a competição, com a camisa usada na final. 

A peça foi doada pela família do jogador ao Museu dos Esportes em 1993 e leiloada pela primeira vez em 2004. 

O certame The Beautiful Game também inclui sete camisas de jogo de Lionel Messi; e a braçadeira de capitão usada por Diego Armando Maradona no jogo contra a Inglaterra em que ele fez um gol com “la mano de Dios”. 

A camisa utilizada pelo craque argentino neste mesmo jogo da Copa de 1986 foi leiloada por US$ 9,3 milhões em 2022, um recorde em termos de memorabilia esportiva.

Vários itens do leilão, inclusive a 10 de Pelé, estarão expostos no The Breuer, em Nova York, entre os dias 1º e 14 de julho. A Sotheby's receberá lances entre 29 de junho e 16 de julho.

Advertisement
Advertisement