
24 horas em Veneza: um roteiro de arte e gastronomia
A cidade é pano de fundo para a 61ª edição da Bienal de Arte e muito além. Confira um guia de arte e gastronomia pela Sereníssima
VENEZA — A semana de abertura da última Bienal de Veneza me lembrou o Carnaval no Rio de Janeiro; ambas reúnem foliões do mundo inteiro, que caminham milhares de passos por dia enquanto exploram as mais diversas experiências que acontecem na cidade. Como no Rio, farmácias e supermercados são tomados pelos mais diversos personagens durante essa semana em Veneza. Não é incomum jantar entre um poderoso empresário, um curador excêntrico e um célebre artista; tudo junto e misturado, com a Sereníssima no pano de fundo.
A edição atual, a 61ª, vai até o dia 22 de novembro. Vale a pena visitar não só pela arte, mas também para conhecer um pouco da cultura contemporânea das mais diversas nações.
Recomendo começar o dia com um bom café da manhã. O do Flora — pequeno hotel familiar muito bem localizado — acontece em um jardim muito charmoso. Depois, coloque um tênis confortável e saia por aí, sem hora para voltar.
Sugiro começar o passeio numa visita ao apartamento do designer Vincenzo De Cotiis. Até outubro, os cômodos da casa recebem a exposição Minimal Legends, com obras de Dan Flavin, Donald Judd, Sol LeWitt, Mark Rothko e Frank Stella, além das peças do próprio De Cotiis. Idealizada por Lawrence van Hagen, é uma experiência única: não é todo dia que visitamos um palazzo particular em Veneza, com design muito singular, e quadros de artistas icônicos. Note que é necessário agendar a visita pelo site da fundação.

A 200 metros dali, está o Palazzo Grassi, que abriga mostras temporárias da coleção Pinault. O palácio, cujo restauro por Tadao Ando completa 20 anos este ano, é o local perfeito para apresentar o trabalho do artista inglês nascido no Quênia, Michael Armitage. São 45 quadros, alguns recém-criados, que apresentam cenas do leste africano pintados em óleo sobre telas feitas de casca de Lubugo. A turma da arte parece concordar que é uma das melhores exposições da temporada.

Mesmo com muito para ver e fazer, faço questão de parar para almoçar; não tem programa melhor do que comer pratos com alcachofras, peixes e frutos do mar, acompanhados de um bom vinho branco. Fique atento aos especiais do dia; a maioria das casas oferece pratos com ingredientes sazonais, além do menu tradicional. As “mil folhas” com puntarelle e caranguejo (granseola) do Antiche Carampane estavam entre os melhores pratos da viagem. O Da Ivo e o Al Covo, convenientemente localizado próximo ao Arsenale, estavam espetaculares.
Para fazer digestão, nada melhor do que bater perna pelas ruelas da cidade. Escondidas na Piazza San Marco, estão três exposições importantes: individuais do sul coreano Lee Ufan e do italiano Alighiero Boetti no SMAC, e trabalhos de natureza-morta de Picasso, Morandi, Parmiggiani na Fondazione Bevilacqua La Masa. São espaços expositivos pequenos, sem a beleza dos palácios, mas que apresentam mostras muito bem construídas.

Para terminar a parte cultural do dia, sugiro fazer uma visita à exposição de Marina Abramović na Gallerie dell'Accademia. Uma experiência imersiva, com muitos cristais e poucos celulares — eles pedem para você desligar seu aparelho — é a forma perfeita para entrar em outra frequência e descansar depois de um longo dia, ou para vibrar “in minor keys”, título da Biennale deste ano.
Termine o dia com um delicioso jantar no Da Fiore, do casal Mara e Maurizio, e faça um brinde a essa cidade que reverencia o passado e acolhe o novo em um encaixe perfeito. Grazie mille, duemila, tremila, Venezia!


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