Quando Rodolfo de Santis anunciou sua saída do Grupo Alife Nino, no fim de 2023, a notícia pegou de surpresa boa parte dos entusiastas da gastronomia paulistana. Afinal, era difícil dissociar a imagem do chef de um dos grupos de food service e gastronomia que mais cresceram na última década no país.
À frente da operação desde a abertura da primeira casa, no Itaim, ele acompanhou a expansão para Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia — um feito raro em um mercado onde poucos restaurantes conseguem crescer nessa escala — e ajudou a transformar o Nino em um negócio que faturava cerca de R$ 30 milhões por ano.
O rompimento com o grupo, segundo de Santis, foi motivado por diferenças de gestão, mesmo em um momento positivo da empresa. Encerrar um ciclo, porém, não significa saber imediatamente como começa o próximo.
Ao longo dos dois anos que se seguiram, Rodolfo pensou em voltar para a Itália, cogitou diversificar os negócios, passou mais tempo na fazenda que havia comprado no interior de São Paulo e chegou a imaginar outros caminhos profissionais. No entanto, a cozinha nunca deixou de fazer parte dos planos.
O que muita gente não sabe é que, fora dela, a vida do chef também mudava rapidamente — um dia depois de assinar a venda de sua participação na empresa, Rodolfo se casou. Poucos meses mais tarde, nasceu sua primeira filha. Às vésperas da abertura do Santino, seu mais novo empreendimento, a família cresceu novamente com a chegada do segundo filho. Os dois nascimentos enquadram um intervalo em que o chef passou a repensar não apenas o próximo restaurante, mas também a rotina que queria construir dali em diante.
Foi durante esse hiato que a ideia do Santino começou a tomar forma, em uma proposta de recuperar um tipo de operação que havia ficado para trás em meio a um dia a dia cada vez mais intenso. Rodolfo queria voltar à operação diária, acompanhar o serviço de perto e recuperar uma relação mais direta com a cozinha e com os clientes. "Eu sentia muita falta de ficar num lugar só, receber os clientes, os amigos… Estar na cozinha," diz.

O nome do restaurante ajuda a entender o conceito do projeto — Santino é o apelido que o chef ganhou ainda na infância e pelo qual continua sendo chamado por familiares e amigos. A trattoria nasce inspirada na sua origem: a cozinha artesanal italiana, guiada por ingredientes frescos, respeito ao tempo de preparo e receitas clássicas. No menu, carbonara, cacio e pepe, massas frescas e uma charcutaria produzida na própria casa traduzem essa filosofia.
O estabelecimento ganhou escala com a entrada dos empresários Marcus Sanches e Victor Vieira como sócios e um investimento de R$ 7 milhões. Assinado por Amanda Melo, da MEL.A Arquitetura, o espaço reúne 3 ambientes que se entrelaçam ao paisagismo e às pinturas feitas à mão nas paredes e nos pratos. No piso superior, uma sala privativa repete um elemento presente em todos os restaurantes assinados por Rodolfo. O porte do investimento acompanha as transformações do próprio mercado na última década. "Não dá para ganhar uma corrida com um Fusca. Tem que começar com um carro forte," diz.
A paternidade também faz parte de sua transformação pessoal. Rodolfo reconhece que ter filhos mudou a forma como enxerga a responsabilidade de comandar uma equipe. Hoje, olha para as pessoas que trabalham ao seu lado, lembrando que cada uma delas também volta para casa para encontrar a própria família. "Você muda com o filho, vira outra pessoa," diz. Ao falar sobre o futuro, a resposta segue pela mesma direção — diz que espera ver suas crianças crescerem cercadas pelos mesmos valores que procura cultivar dentro do restaurante. “Quero que eles entendam o valor do trabalho e tratem todo mundo com respeito, como eu procuro fazer. Não importa se alguém está lavando a louça ou se é o gerente da casa. Quero que este seja um lugar onde as pessoas possam crescer, inclusive meus filhos.”














