O Museu de Arte Moderna de São Paulo reabre sua sede sob a marquise do Ibirapuera, após dois anos em reforma, com uma exposição emblemática: a 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira, intitulada Depois que Tudo Foi Dito.
Com curadoria de Diane Lima, uma das profissionais mais influentes do momento, a reabertura e o Panorama foram recebidos no meio artístico com grande entusiasmo. Ela é responsável pelo pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, que apresenta Rosana Paulino e Adriana Varejão, e integra o Conselho Consultivo da Documenta, na Alemanha.
Criado em 1969, o Panorama é a mais antiga exposição brasileira dedicada à produção artística contemporânea do País. Ao longo de quase seis décadas, ajudou a revelar artistas e registrar mudanças de linguagem, pensamento e expressão da arte nacional, além de contribuir para a formação de uma parte importante do acervo do MAM-SP.
Conhecido por antecipar movimentos, o Panorama trouxe à tona o que estava surgindo antes que fosse absorvido pelo mercado. Muitos artistas hoje consagrados passaram pela mostra quando ainda estavam em formação. “O Panorama aponta muitos dos rumos e do futuro da produção nacional, e tal futuro está atrelado a uma instituição histórica e respeitada como o Museu de Arte Moderna de São Paulo”, diz Lima.
“Acho fundamental que, a cada dois anos, tenhamos uma mostra que permita aos curadores não somente aprofundar-se na produção nacional, mas, acima de tudo, questionar, repensar, reposicionar e refletir sobre o que é o Brasil e sobre esse debate recorrente nos Panoramas a respeito da natividade da arte brasileira. Trata-se de uma chance única de reimaginar e reinventar o Brasil, e me sinto honrada e grata por ter agora essa oportunidade.”

Lima quis trazer artistas cujas obras surgiram depois de uma profunda transformação da arte brasileira nas últimas duas décadas, quando políticas afirmativas, reivindicações por uma devida reparação racial e a entrada de novas vozes no circuito artístico impactaram as linguagens da arte.
A seleção reúne 33 artistas de 13 estados, representando todas as regiões do Brasil. Há nomes já conhecidos do circuito internacional, como Jota Mombaça, ao lado de artistas jovens e em ascensão, como Allan Weber, Ana Claudia Almeida, Carolina Cordeiro, Caroline Ricca Lee, Kuenan Mayu, Lia D Castro, Osvaldo Gaia e Rose Afefé. Não houve a intenção de representar o País por divisões geográficas.
O que interessa é perceber como artistas de origens, gerações e repertórios distintos lidam com o território e sua identidade, e como essas questões se manifestam nos materiais que utilizam.
A exposição já está em cartaz e estará em exibição até 24 de janeiro de 2027.














