Os C-Levels que brilham no mercado e nos palcos com a banda The Corporates

Os C-Levels que brilham no mercado e nos palcos com a banda The Corporates

Com grandes nomes do mercado brasileiro, a The Corporates une C-levels apaixonados por música, com mais R$ 600 mil doados para iniciativas do terceiro setor

“Há uns oito anos dei uma palestra no Forum CEO Brasil, do Experience Club, sobre a correlação dos fundamentos da música e os empresariais. No fim da apresentação, apareceram com um piano no palco e toquei O Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos, que eu sabia de cabeça. Quando aquilo acabou, alguns amigos vieram conversar e descobrimos que muita gente ali tocava algum instrumento – em especial o Paulo Pontin, que hoje é nosso baixista na The Corporates. Aí veio a ideia de criar uma banda para juntar essa turma, tudo a partir de uma conexão casual,” diz Julio Pina, sócio da Gulf Capital Partners, formado em música, tecladista, pianista e carinhosamente chamado pelos amigos do grupo de maestro.

É dele, inclusive, aquele estúdio na cobertura da Lagoa onde costumam acontecer encontros despretensiosos da banda para ensaios e shows particulares. “A ideia foi crescendo, mas a gente pensou como se estivesse criando uma empresa, um negócio ou um produto que segue quatro princípios: só tocamos com cachê, de preferência alto; 100% do que recebemos vai para quatro obras sociais que escolhemos; sempre aceitamos participações especiais e sempre seremos uma banda de amadores," diz.

Em 2018 nasceu então, oficialmente, a The Corporates, banda formada por C-levels de grandes empresas, que conta hoje com sete participantes na formação completa, apesar de nem sempre estarem juntos em todos os shows. Além de Júlio, a banda também tem Marcelo Munerato, CCO da Aon na América Latina (que ganhou o título de showman do grupo entre os amigos), nos vocais e violão; Amilcare Dallevo Neto, vice-presidente comercial na RedeTV!, na bateria; Paulo Pontin, diretor comercial da CrowdStrike, no contrabaixo; Gabriel Rozin, que integra o corpo médico do hospital Albert Einstein, na guitarra; Cyd Alvarez, sócio e presidente da NBS Comunicação, também nos teclados e piano; e o mais novo do time (não só em idade, mas também de tempo de grupo), Daniel Arcoverde, fundador e CEO da Netshow.me, na guitarra.

Agora, imagine o desafio de reunir todos esses executivos do mercado brasileiro em um só lugar que não seja em uma sala de reunião. Na conversa com o Page9, Daniel estava em São Paulo, Julio no Rio e Marcelo na Itália. Mas eles garantem: os ensaios acontecem de duas a três vezes por mês, com o esquema de alguns músicos sempre estarem em stand by para cumprir a agenda. 

E a agenda está movimentada, viu? A The Corporates tem feito shows com uma frequência entre dois e três meses, seja em eventos corporativos ou para amigos e, também, shows com ingressos vendidos, que acontecem em casas parceiras pelo Brasil. No setlist, covers de clássicos do rock mundial e nacional, sempre com todo o valor arrecadado revertido para quatro instituições sociais escolhidas pelo conjunto, sendo elas: a Amigos do Bem, o Instituto da Criança, o Retiro dos Artistas e a Fundação Dom Bosco. Desde o início da iniciativa, a banda já reverteu mais de R$ 600 mil para as instituições. “Nesses dois anos em que estou com a banda, já tocamos com o Michael Sullivan, o André Vasco e a Faa Morena, por exemplo. E é um negócio incrível, que junta o que para nós é diversão com um propósito maior,” diz Daniel.

Mais que um grande show pelo bem, a The Corporates também se tornou um clube de amigos, sem perder a seriedade de uma banda comprometida com o resultado, apesar de amadora: “O grupo se tornou um time de pessoas que ficaram muito amigas e que se frequentam, independente da banda. Ninguém quer aparecer mais do que ninguém, a solidariedade é imensa. Lembro que nossa primeira vez juntos foi uma catástrofe, e hoje sempre fazemos uma reunião depois dos shows para ver onde podemos evoluir e melhorar. Queremos entregar algo que o público goste, ao mesmo tempo em que nos divertimos e fazemos o bem com as doações,” diz Marcelo.

Se tem uma coisa com a qual eles concordam – além da paixão pela música e as causas sociais apoiadas – é a visão do poder da música, seja na vida cotidiana, seja no meio empresarial. “Tem muito em comum entre a música e os negócios. A improvisação, a harmonia, que é a capacidade de unir forças diferentes, a composição, a cadência, o ritmo. Sem falar nos benefícios e aspectos biológicos que são produzidos pela música, como o poder da dopamina e o aumento das sinapses cerebrais, que trazem mais concentração e capacidade de raciocínio. São características incríveis para os negócios, e se você pensar na figura do líder, é sempre importante lembrar que tudo isso ajuda na trajetória e que ele deve servir aos seus liderados, não o inverso” diz Julio. 

Marcelo reforça: “Sem falar que muito mudou de uns tempos para cá, não é? O líder tem que ser uma pessoa que aceita a sua fragilidade, aceita as suas limitações e busca ter na equipe a força maior. Não existe mais aquele líder do one-man show. O líder de verdade é aquele que realmente se cerca de craques, de pessoas que se complementam. E a música também ajuda muito nos valores para isso.” Daniel lembra de uma frase famosa no meio dos negócios que representa muito bem a harmonia e a confidência deste grupo: se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá em grupo. E que grupo!

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