Nostalgia que cola: a história das figurinhas da Copa

Nostalgia que cola: a história das figurinhas da Copa

Raul Vallecillo, CEO da Panini no Brasil, conta a história dos cromos mais famosos do país que atravessam gerações

Crianças e jovens que nunca colocaram os pés em uma banca de revista para comprar um jornal entram em milhares, a cada Copa do Mundo, atrás das famigeradas figurinhas. Em toda edição do mundial o movimento se repete.

“O álbum da Copa trata muito de um resgate e da conexão de diferentes gerações,” afirma o CEO da Panini no Brasil Raul Vallecillo. “Muito disso vem da vontade dos pais, avós e irmãos mais velhos de repassar as experiências que eles viveram no passado,” complementa o comandante da empresa cuja parceria com a Fifa (iniciada na Itália) se mantém há 56 anos.

Parte da paixão vem de ter o álbum guardado, de rasgar os pacotinhos, de colar as figurinhas. Ou seja, da forma como cada colecionador tateia e guarda seus cromos. “É um produto que resgata questões prévias ao mundo digital,” diz o CEO.

Se você tem mais de 30 anos, provavelmente se recorda que, em Copas passadas, a comoção pelo evento - e pela Seleção - era consideravelmente maior. Entretanto, essa oscilação não deu conta de reduzir o fervor pelas figurinhas.“Mesmo que a Seleção não esteja no seu momento de maior conexão com a torcida, o povo brasileiro ainda se liga muito com a Copa do Mundo como um todo,” diz Raul. 

O aspecto intercultural de eventos esportivos do tipo, explica Raul Vallecillo, também estimula a continuidade das vendas. “A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do planeta (em termos de audiência global e engajamento financeiro em um único esporte). Há uma conexão entre culturas, países e vivências, e esse álbum traz muito disso,” diz o CEO. 

Inovar para caminhar

Nostalgia pode até vender, mas não sustenta a partida sozinha. “Entendemos a necessidade de acompanhar as tendências da sociedade e, para essa coleção, temos o álbum digital,” diz Raul. A edição virtual engloba as 48 seleções participantes desta edição, com 11 figurinhas em cada uma.

A plataforma digital é gratuita e pode ser acessada pelo aplicativo FIFA Panini Collection. Por lá, o colecionador recebe pacotinhos virtuais todos os dias, assim como bônus ao convidar amigos, ou, ao trocar figurinhas. Já em alguns envelopes físicos há cupons para resgatar pacotinhos digitais e, também, é possível escanear o QR code, no álbum de papel, em busca de recompensas.

Outra adaptação aos tempos da Panini foi a criação, na edição passada do evento, do álbum da Copa feminina. “Entendemos que, conforme o futebol feminino vem crescendo, se desenvolvendo e ganhando mais espaço, não há motivos para que a experiência do público não passe pelos mesmos lugares.”

Trajetória das figurinhas no Brasil

Bem antes da Panini começar a atuar no País, em 1990, as figurinhas de jogadores serviam como brinde das Balas Sport, da Grecchi & Cia, em 1919. Segundo dados do Museu do Futebol, em São Paulo, essas foram as primeiras imagens difundidas por aqui. Porém, elas não eram feitas para serem coladas em um álbum, que só começaram a circular em 1938, graças a outra companhia de doces: a Americana. 

Os produtos açucarados da marca também vinham com figurinhas como brinde e os clientes podiam comprar um álbum, mais parecido com um livro na época, para as colar. Assim, as coleções passaram a ter maior organização. 

Em 1958, as figurinhas, de diferentes marcas, passaram a ser vendidas em pequenos pacotes. O sucesso foi tanto que a Americana interrompeu a produção de doces para focar nos álbuns. 

Décadas depois, em 1982, as figurinhas também viraram brindes de goma de mascar. Graças à outra empresa que entrou em campo: a Ping Pong, que começou a oferecer ao cliente uma figurinha por chiclete para completar o álbum, com o total de 300 imagens. O álbum era produzido, por sua vez, pela Editora Omni.

Mas foi apenas nos anos 1990 que a Panini aportou da Itália no Brasil graças - ao menos em parte - a um acordo com a FIFA de disseminação de figurinhas em diferentes nações. A companhia segue como a detentora dos direitos de criação e distribuição dos álbuns e figurinhas em território nacional.

Perguntada sobre a quantidade de cromos vendidos no mundial de 2022 e da expectativa para este ano, a Panini afirmou que não divulga os números de venda. Entretanto, o iFood fez uma parceria de vendas com a editora este ano para vender figurinhas e álbuns. Segundo dados da plataforma de entrega ao redor do fim de maio, mais precisamente entre 30.04 e 27.05, foi consolidada a circulação de 6,7 milhões de pacotinhos e álbuns. A informação foi confirmada ao jornal Extra.

Levando-se em conta que cada pacote custa R$ 7, e os álbuns de R$ 24,90 a R$ 113,90, caso considere-se a venda somente das figurinhas - a menos exponencial -, o valor chega a R$ 46,9 milhões em pouco mais de um mês. A Seleção pode até estar em baixa, mas a paixão nacional ainda faz gol de placa - ao menos nos álbuns de figurinha. 

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